Sistema de Referência Geocêntrico

O SIRGAS, como sistema de referência, tem sua definição idêntica à do Sistema Internacional de Referência Terrestre ITRS (International Terrestrial Reference System). Sua realização é a densificação regional do ITRF (International Terrestrial Reference Frame) na América Latina e no Caribe. As coordenadas SIRGAS estão associadas a uma determinada época de referência e a sua variação ao longo do tempo é tomada em consideração, seja pelas velocidades individuais das estações, ou por um modelo de velocidade contínuo que compreende os movimentos das placas litosféricas e as deformações na crosta. As realizações ou densificações do SIRGAS, associadas a diferentes épocas e referidas a diferentes soluções do ITRF, materializam o mesmo sistema de referência e as suas coordenadas, depois de reduzidas à mesma época de referência e à mesma realização (ITRF), são compatíveis ao nível milimétrico. A realização do SIRGAS é efetuada por densificações nacionais da rede continental, que servem como referenciais locais.

A transformação de coordenadas cartesianas tridimensionais para geodésicas é realizada aplicando os parâmetros do elipsoide GRS80.

As atividades relacionadas à realização e manutenção para o sistema de referência geocêntrico são coordenadas pelo SIRGAS-WGI: Sistema de Referência. As atividades relacionadas à densificação e aplicação do SIRGAS a nível nacional são coordenadas pelo SIRGAS-WGII: SIRGAS em nível nacional.


Sistema de referência vertical

Os data verticais utilizados atualmente na América Latina se referem a diferentes marégrafos e, portanto, diferentes níveis do mar e diferentes épocas. Além disso, não levam em conta as variações das altitudes e do nível de referência com o tempo e, em geral, a extensão do controle vertical mediante redes de nivelamento não incluem as reduções dos efeitos de gravidade. Em consequência, as altitudes associadas aos diferentes marégrafos, apresentam discrepâncias consideráveis entre os países vizinhos, não permitem o intercâmbio da informação vertical nem em escala continental e tão pouco global, além de não possuírem capacidade de suportar a determinação prática de altitudes a partir do posicionamento por GNSS.

Em contraste, o novo Sistema Vertical de Referências para o SIRGAS deve:

  1. referir-se a um nível de referência global unificado (W0);
  2. ser realizado (materializado) por altitudes físicas propriamente ditas (isto é, derivadas de nivelamento geodésico em combinação com reduções gravimétricas);
  3. estar conectado ao sistema de referências geométrico SIRGAS e
  4. estar associado a uma época específica de referência, isto é, deve considerar as mudanças em relação ao tempo das coordenadas e do referencial.

A recomendação oficial do SIRGAS sobre as altitudes físicas é de utilizar a altitude normal; entretanto, caso alguns países queiram adotar altitudes ortométricas, o novo sistema vertical de referência para o SIRGAS se define em termos de quantidades de potencial (W0 como a superfície de referência e número geopotencial como coordenadas primárias). Dessa forma, na realização do sistema, cada país poderá introduzir o tipo de altitude física que prefira, junto com a superfície de referência correspondente: geoide para as altitudes ortométricas ou quase-geoide para altitudes normais.

As atividades relacionadas à definição e realização do novo sistema de referência vertical para SIRGAS são coordenadas pelo SIRGAS-GTIII: Datum vertical.